Opinião

Fui convidada pela Direcção da Human Capital Angola para dar a minha opinião ao Relatório produzido pela Deloitte sobre a presença das mulheres nos Conselhos de Administração das empresas.

 

Começo por apresentar alguns indicadores pertinentes:

 

  • 7.2 Mil milhões são os números apresentados no relatório da ONU (2017), quanto à população mundial;
  • 50,4% Homens e 49,6% Mulheres a nível Mundial (2017) (site countrymeters.info.pt);
  • Estudo da Deloitte:
    • 7.000 Empresas;
    • 64 Países (infelizmente Angola não faz parte desses países);
    • 72.000 Directores;
    • 6 Áreas de Actividade / Indústria: Serviços financeiros; Consumer Business; Tecnologia, Média & Telecomunicações; Manufactura; Energia & Recursos; Ciências da Vida & Cuidados de Saúde; e. 15% dos Lugares de Direcção são ocupados pelas Mulheres, o que representa apenas 3% de crescimento relativamente ao relatório efectuado pela Deloitte há dois anos.
    • Resumo de alguns dos indicadores apresentados neste estudo:

 

 

Olhando para estes indicadores, há reflexões a serem realizadas, pois é clara e evidente a pouca representatividade Feminina nos Conselhos de Administração, ou nos boardrooms… Interessante, no entanto, constatar que com exceção da Latin & South America a existência de Mulheres CEO encontra-se acima de 22%, um pequeno passo talvez, mas factos e evidências. Por outro lado a Indústria onde a presença feminina é mais evidente é claramente a CB, ou seja, Comércio (6 das 7 regiões geográficas) e a FSI – Serviços Financeiros (4 de 7). Pela amostragem acima apresentada, questiono-me muitas vezes, sobre a importância de quotas, para alcançar a diversidade. Parece-me que esta é então a única forma, para se alcançar esta desejada diversidade? Só assim, podemos ter mais Mulheres num Mundo dominado pelos Homens?

 

Neste estudo, e na perspectiva da Directora Sakie T. Fukushima (Ásia), refere que “os membros do Conselho de Administração no Japão, necessitavam de diversificar trazendo mulheres e não-japoneses directores, não por causa do seu género ou nacionalidade, mas porque podem contribuir para o sucesso da Empresa ao trazer novas perspectivas de fora.” Mais do que o sexo ou nacionalidade, é o valor acrescentado que as pessoas trazem para a organização, pois são as diferentes perspectivas de opinião, cultura e experiências, que permitem trazer novas ideias e lufadas de ar-fresco para as organizações. O que retenho após a leitura deste relatório? Que ainda há uma longa estrada a percorrer para que nós Mulheres estejamos ao mesmo nível que os homens. Não coloco sequer enfoque na competência, nas Skills, pois tenho a certeza de que há muitas Mulheres com as competências necessárias para estarem a este nível. Então Sras. Onde estão? O que falta?

 

Medo? Receio? Falta de oportunidade? Competir e tornar-se mais masculina, para ser reconhecida pelos pares? Ou deixamos simplesmente para os Homens a missão de liderar as Empresas?… Estas questões fazem-me recordar um excerto do blog da minha amiga Sofia Calheiros, sobre o tema “Liderança no Feminino: Be Gentle to Each Other”, eque aqui replico: “Todas as mulheres, com quem estive nestas últimas semanas, com posição de Liderança numa grande Instituição Financeira, perceberam que a transformação empresarial, e do mundo, terá de ser feita com enfoque no feminino. Todas bem preparadas e no pipeline para o Board, but… todas ainda a acharem que lhes falta algo…

 

Neste faltar algo perceberam, no Programa, que o que pensam faltar-lhes não é mais do que a resistência à evolução no caminho que existe. Na verdade estão prontas para assumir a Liderança do futuro mas não nas posições de onde este tradicionalmente se desenha. Querem estar, liderar a partir de outro ponto, noutro caminho. Porquê? Porque no que, a organização quer para elas terão de fazer a “Liderança à Homem” e isso, implica perderem o que desejam da vida.”

 

Então, falta-nos mais formação? Falta-nos mais oportunidades em demonstrar que possuímos os requisitos necessários para realizar um bom trabalho, num mundo de homens? Ora, as organizações estão plenas de mulheres que lideram formalmente e informalmente, a nossa vida quotidiana está repleta de mulheres líderes e poderosas. A nossa realidade é prova disso… Sim, estas não estão em funções de board, de Alta Direcção… mas existem? Sim, claro. E quem são as nossas referências femininas na Alta Direcção?

Fica o desafio e a provocação, para quem sabe uma análise mais detalhada da nossa realidade.

 

Alguém fica surpreendido com estes indicadores? Penso que não, pois espelham a liberdade ou ausência dela e da relevância do papel da Mulher na sociedade.

 

Mas os números globais evidenciam que é na Noruega (42.0%) o país onde existe um maior número de Mulheres com lugar na Alta Direcção / Conselho de Administração. 42% é realmente um número muito encorajador, um exemplo a seguir. Seguida de muito perto pela França com 40% e em terceiro lugar a Suécia com 31,7%. E no final da lista encontra-se Emirados Estados Unidos com 2.1%, Coreia com 2.5% e o Japão com 4.1%.

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