Entrevista

“Sem colaboradores motivados não há negócio que sobreviva”

 

Gladys Dinis, Directora de Recursos Humanos no Banco BFA, é hoje indiscutivelmente um dos casos de sucesso naquilo que podemos chamar a nova geração de gestores angolanos. Com uma notável carreira profissional de 9 anos na empresa de construção Mota Engil, onde começou como trainee e culminou com a posição de Diretora de Recursos Humanos da Empresa em Angola, a jovem gestora abraçou há um ano um novo desafio profissional. Agora à frente dos Recursos Humanos de uma das maiores e mais prestigiadas instituições financeira angolanas, o Banco BFA, Gladys Dinis falou-nos sobre o início da sua carreira, as motivações e interesses, as experiências e as pessoas que a marcaram, mas também sobre a evolução, os desafios e o futuro do Capital Humano angolano.

 

Human Capital: Possui uma Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos e também um Master nessa área. Sempre soube que queria estudar Recursos Humanos ou foi influenciada por alguém? O que aspirava em termos profissionais?

 

Gladys Dinis (GD): Eu tinha o sonho de ser juíza, entrei na faculdade no curso de Direito, mas ao fim de um ano percebi que não era para mim. Eu gosto de pessoas e quando decidi que queria mudar a Gestão de Recursos Humanos foi a minha primeira opção. Eu queria era gerir, ser gestora e puder ter uma voz activa, deixar uma marca e achei que o Direito limitar-me-ia. A minha mãe trabalhou em Recursos Humanos, é formada em Psicologia, de forma muito natural e sem pensar muito na altura, acho que foi essa a minha influência. Mas confesso que por vezes tenho vontade de voltar a estudar Direito, talvez um dia destes volte à faculdade.

 

O que a surpreendeu mais quando iniciou a formação superior em Gestão de Recursos Humanos e começou a aprofundar os temas?

 

GD: Que Recursos Humanos não era só pagar salários, há um mundo nesta área. Confesso que eu não queria muito estar numa área demasiado científica, com muitos números, muito técnica, em que tivesse que trabalhar num sítio fechada e sozinha, mas sim trabalhar em algo que pudesse colocar a minha criatividade a fluir e também estar com pessoas. Eu gosto do contacto pessoal e também tenho muitas ideias. Às vezes não posso é por todas em prática. A Liderança e a Transformação Organizacional sempre me fascinaram desde que comecei a aprofundar esses temas na licenciatura e ainda me fascinam até hoje.

 

A conduta ética de todos os colaboradores é um dos factores críticos para o desenvolvimento e sucesso de uma organização, uma vez que comporta benefícios, não só ao nível da sua reputação, mas também no que respeita à eficiência operacional, gestão prudencial dos riscos e à satisfação dos próprios colaboradores.
Gladys Dinis

 

Fale-nos do seu percurso profissional. Sabemos que iniciou a sua carreira profissional na empresa de construção Mota Engil. Como foi a integração na Empresa?

 

GD: Foi uma integração fácil. A Mota Engil tem um programa de trainees muito interessante e na altura tinha dado início a um programa de trainees específico para as geografias onde estava sediada, em que identificou jovens recém-licenciados de Angola, Moçambique, Hungria, Polónia e Portugal para serem os futuros gestores nestas filiais. Para Angola, foram identificadas sete pessoas: seis engenheiros e eu da área de Recursos Humanos. Durante o programa tínhamos um mentor que nos acompanhava ao longo do mesmo e nos apoiava, quer na integração dentro da estrutura, quer nos temas das respectivas áreas e o facto de sermos um grupo também facilitou, porque tínhamos o apoio uns dos outros. Estive um ano e meio a trabalhar na Sede da Empresa, na cidade do Porto, na área de Serviços Partilhados do Grupo e na área Corporativa de Recursos Humanos. Ao fim deste período, em outubro de 2009, regressei a Angola para reforçar a equipa de Recursos Humanos local e implementar a área de Desenvolvimento de Capital Humano. Em 2011, fui convidada para assumir a Direcção de Recursos Humanos, liderando uma equipa de 45 pessoas. Estive 9 anos na Mota Engil e foi uma experiencia fantástica. Cresci como profissional e como pessoa. É uma grande Empresa, com excelentes profissionais e com presença em vários países, com uma diversida16 de de negócios e cultural, o que nos permitia ter uma visão mais global e contactar com várias realidades.

 

Como tem visto a evolução na Gestão de Recursos Humanos em Angola desde 2008, ano em que começou a trabalhar, até aos dias de hoje?

GD: Tenho visto com grande optimismo esta evolução. Estamos a caminhar a passos largos para uma gestão de Capital Humano mais sustentável. Vemos cada vez mais as organizações preocupadas com as suas pessoas e em adoptar processos e modelos que sustentem o negócio, tendo como foco as suas pessoas. Sem colaboradores motivados e comprometidos não há negócio que sobreviva.

 

Agora no BFA, uma das maiores instituições financeiras angolanas, como tem sido o desafio? Quais são as grandes linhas de actuação da sua Direcção?

GD: O BFA é a escola da banca angolana. Uma Instituição que este ano comemora 25 anos de grandes sucessos conquistados por uma grande equipa. Este é um projecto desafiante, que me foi permitido contribuir para a manutenção deste legado…a Fortaleza BFA. As grandes linhas de actuação da Direcção de Recursos Humanos são o reforço das competências dos nossos colaboradores, a definição e implementação de políticas de gestão de capital humano, que permitam a gestão eficaz do nosso talento, contribuindo e ajudando a gestão de topo na sustentabilidade do negócio.

 

A Ética e o Compliance são temas que estão na agenda de muitas empresas, principalmente no sector financeiro. O BFA tem programas de formação ou políticas específicas para estas temáticas?

 

GD: O BFA tem uma grande preocupação com a Ética e Compliance e prova disto é a confiança que os nossos clientes depositam em nós, por termos estes princípios orientadores. Não poderemos ser um banco de referência se não tivermos nas nossas agendas os pontos Ética e Compliance. A conduta ética de todos os colaboradores é um dos factores críticos para o desenvolvimento e sucesso de uma organização, uma vez que comporta benefícios, não só ao nível da sua reputação, mas também no que respeita à eficiência operacional, gestão prudencial dos riscos e à satisfação dos próprios colaboradores. O Compliance é intrínseco a qualquer estrutura bancária e ao seu negócio, dado que este assenta numa base de normativos e legal, regido por regras definidas pelas diversas entidades, desde de supervisão, clientes e parceiros de negócio com os quais estabelecemos relações. O BFA disponibiliza a todos os novos colaboradores o Código de Conduta e diariamente todos os nossos colaboradores são sensibilizados para tal e estamos empenhados em fortalecer os nossos programas de formação e políticas sobre estes temas de diversas formas, garantindo a divulgação e consolidação dos mesmos.

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