Entrevista

Era uma entrevista há muito tempo aguardada e que agora se concretizou. Eunice de Carvalho transformou-se ao longo dos anos numa das grandes referências no País, na área da gestão empresarial e o exemplo para muitos jovens quadros angolanos. Nesta entrevista a gestora fala das suas origens, a ida para os Estados Unidos, o percurso académico, a sua carreira profissional, a experiência de 18 meses na Sonangol e finalmente o seu papel na UNITEL.

 

 

Human Capital: Quando se dá a sua entrada no sector petrolífero?

 

Eunice de Carvalho (EC): Em 2006 venho para Angola, com uma oferta de trabalho da Chevron, depois de ter sido entrevistada pela Empresa. Gosto sempre de partilhar o meu processo de recrutamento na Chevron com estudantes ou com pessoas que estão em início de carreira, sobre a necessidade de pensarmos “fora da caixa” quando estamos a falar da procura de emprego. Muitas vezes os jovens enviam o seu cv por e-mail, deixam-no ficar na recepção das empresas ou participam nas feiras de emprego, que são boas formas de procurar emprego, mas nas alturas mais desafiadoras, em que as empresas estão a contratar menos devemos ser mais inovadores. No meu caso em concreto, quando decidi que queria trabalhar na Chevron enviei o meu cv por e-mail para a caixa de correio que existia para o efeito. Foi uma candidatura espontânea. Como não tive qualquer resposta e ainda estava nos Estados Unidos, resolvi contactar telefonicamente a Chevron, mas não em Angola. Liguei para o telefone geral da sede na Califórnia, em San Ramon, e pedi para falar com alguém responsável por África. A telefonista que me atendeu ficou um pouco admirada pela pergunta, mas passou a chamada para uma área na qual quem me atendeu era uma pessoa que tinha sido recentemente nomeada para uma posição no Gana. Creio que a telefonista lhe reencaminhou a chamada porque sabia que essa pessoa tinha sido nomeada para esse país africano e não sabia a quem mais passar a chamada. Ele disse-me que não tinha nada a ver com Angola, mas que podia enviar-lhe o e-mail com o meu cv e ele daria seguimento. Sinceramente eu não acreditei que fosse dar em algo. Mas de facto, quando ele viu o cv achou-o tão interessante e fora do vulgar que tomou a iniciativa de ir ter com o Director do Gabinete Jurídico da Chevron Angola, que por coincidência estava na sede, numa viagem de serviço, e tudo o resto aconteceu a partir daí. Por isso eu digo sempre às pessoas, principalmente quando já identificaram a empresa onde querem trabalhar, e dentro do que é ético e legalmente permitido, que sejam criativos na forma de se apresentarem e estejam prontos para em poucos minutos criarem um impacte e uma proposta de valor, isto é, o que posso acrescentar ou trazer para esta organização. No meu caso, eu trazia mais de 15 anos de experiência num escritório de advogados americano, no qual tinha trabalhado para várias companhias clientes e que me permitiram conhecer, ao longo do tempo, como as empresas funcionam e em que áreas os serviços jurídicos podem ser úteis. E sabia que em Angola na altura a Chevron não tinha esse tipo de experiência internacional, porque os advogados angolanos por norma tinham estudado cá ou em Portugal e tinham trabalhado em empresas angolanas ou portuguesas e a Chevron é uma empresa norte americana. Assim, o facto de conhecer bem a forma como os americanos pensam e quais são as suas principais preocupações, aliado à situação de ser angolana e ainda pelo meu conhecimento da realidade do País, porque vinha cá com frequência, levou a que entrasse para o sector petrolífero através da Chevron.

 

Como foi a sua experiência profissional na Chevron?

EC Curiosamente, foi na Chevron que comecei a ter uma ligação maior aos Recursos Humanos, pese embora quando ainda estava no escritório de advogados, fosse membro da Comissão

 

Digo sempre às pessoas, principalmente quando já identificaram a empresa onde querem trabalhar, e dentro do que é ético e legalmente permitido, que sejam criativos na forma de se apresentarem e estejam prontos para em poucos minutos criarem um impacte e uma proposta de valor, isto é, o que posso acrescentar ou trazer para esta organização.
Eunice de Carvalho

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